Este post é uma cópia do que eu publiquei no meu outro site, o Chocólatras Online (veja aqui)

Já na terceira edição, o Prêmio Bean to Bar Brasil mostra que o movimento dos chocolates bean to bar está mesmo crescendo e se consolidando por aqui. Participaram do concurso 57 barras de 32 marcas de chocolates, de 9 estados do país, sendo 21 na categoria ao leite e 36 na categoria intensos de 70 a 80% cacau.

O prêmio é organizado por mim e tem o objetivo de divulgar o movimento bean to bar no Brasil e ajudar a aprimorar os chocolates deste tipo. Para isso, os jurados fazem comentários por escrito nas avaliações e esses feedbacks depois são enviados aos respectivos chocolate makers. Para saber mais detalhes, leia o regulamento aqui.

Júri Oficial

Os votos do júri oficial decidem ouro, prata e bronze, premiando o máximo de 20% dos inscritos em cada categoria, e dentro disso, a definição de ouro, prata e bronze é feita por faixa de notas. Desta vez, essa regra resultou em termos vários bronzes em ambas as categorias e nenhum prata para os ao leite, pois não houve chocolate dentro daquela faixa.

O júri oficial se reuniu no dia 15/5 no primeiro andar do lindo prédio da Unibes em São Paulo, no primeiro dia da Bean to Bar Chocolate Week, um evento organizado pela Associação Bean to Bar Brasil. Foi muito bom podermos realizar o júri do Prêmio e a Week juntos, na mesma semana e local, com apoio da Unibes (Obrigada, Unibes, Associação e também AG10 Eventos !).

O júri é formado pelos próprios chocolate makers e proprietários das marcas participantes e mais 16 jurados convidados, especialistas em chocolate ou gastronomia. Veja aqui:

 

juri de convidados e de chocolate makers

Os jurados especialistas convidados foram:

Estrangeiros:

  • Chloe Doutre Roussel – Francesa, consultora e especialista em cacau e chocolate, ministra palestras e cursos e presta consultoria em empresas no mundo todo e é autora do livro The Chocolate Connoisseur. Chloe participou do júri em São Paulo;
  • Greg D’Alesandre, de São Francisco na Califórnia, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Dandelion Chocolate, responsável pela seleção das origens de cacau usadas nas barras da marca. Foi um dos criadores do Chocolate Makers Cup, o evento que inspirou este Prêmio Bean to Bar Brasil.  Greg avaliou os chocolates em São Paulo, no dia seguinte ao júri;
  • Gino Dalla Gasperina, do Oregon, sócio da Meridian Cacao, especialista na seleção de cacau fino para a produção de chocolates bean to bar e responsável pela importação destes grãos para vários dos chocolate makers americanos. Gino avaliou os chocolates em São Paulo, no dia seguinte ao júri;
  • Hazel Lee, de Londres, autora do Taste with Colour® (Mapa de sabores para degustação de chocolates, com versão também em português), consultora sobre chocolates, membro da Academy of Chocolate, jurada do Academy of Chocolate Awards e do Northwest Chocolate Awards e chocolate maker nas horas vagas. Também foi jurada do Prêmio Bean to Bar Brasil em 2018. Ela organizada workshops de degustações de chocolates com pintura usando seu Mapa. Hazel participou do júri em São Paulo;
  • Jennifer Earle, de Londres, fundadora do Chocolate Ecstasy Tours e do Taste Tripper, especialista em chocolate, escritora, consultora de gastronomia e jurada do International Chocolate Awards e do Academy of Chocolate Awards. Jennifer recebeu e avaliou os chocolates em Londres;
  • Jon Hogan, de Londres, chocolatier e chocolate maker, é hoje o head of experience da Rococo Chocolates e antes disso foi o head chocolatier da Melt e responsável pela produção bean to bar da Mast Brothers na sua filial inglesa. Jon recebeu e avaliou os chocolates em Londres;
  • Karen Neugebauer, da Forté Chocolates, de Seattle, chocolatier premiada em vários campeonatos mundiais de chocolates. Karen participou do júri em São Paulo;
  • Maria Fernanda di Giacobbe, da Cacao de Origen, da Venezuela, Chef, chocolatier, chocolate maker, autora de livros e responsável por capacitar centenas de pessoas na produção de chocolate na Venezuela. Consultora junto com Chloe para marcas no mundo todo. Maria Fernanda participou do júri em São Paulo;.
  • Marianne Parry, de Londres, médica especialista em medicina funcional (drmarianneparry.com), escultora e jurada tanto do International Chocolate Awards quanto do Academy of Chocolate Awards. Marianne recebeu e avaliou os chocolates em Londres;
  • Maya Schoop-Rutten, de Santa Barbara na Califórnia, chocolatier, proprietária da Chocolate Maya, uma loja criada em 2007 para amantes do chocolate descobrirem o mundo pelo paladar através das trufas e bombons lá produzidos e de sua seleção dos melhores chocolates bean to bar que ela encontra. Maya participou do júri em São Paulo;
  • Mireille Discher, de Londres, chocolate maker, head chocolatier na Rococo Chocolates, consultora sobre chocolates e jurada do International Chocolate Awards e do Academy of Chocolate Awards. Também foi jurada do Prêmio Bean to Bar Brasil em 2018. Mireille recebeu e avaliou os chocolates em Londres;
  • Ruth Kennison, da Chocolate Project, de Los Angeles, chocolatier e chocolate maker, ela ensina a produção bean to bar e culinária no The Gourmandise School of Sweets and Savories e organiza degustações no seu grupo Santa Monica Chocolate Society. Ruth participou do júri em São Paulo;
  • Terese Weiss, de Londres, chocolate educator, professora no IICCT (International Institute of Chocolate & Cacao Tasting) e jurada do International Chocolate Awards. Terese recebeu e avaliou os chocolates em Londres;

Brasileiros:

  • Ana Paula Boni, de São Paulo, Editora do Estadão PME, seção de empreendedorismo de pequenas e médias empresas do jornal, cobre o setor da alimentação como repórter há 10 anos e, mais especificamente, o setor de cacau e chocolate há cinco anos, com visitas a fazendas e fábricas no Brasil e no exterior. Baiana, traz o fruto do cacau em memórias de infância. Ana participou do júri em São Paulo;
  • Lucas Corazza, de São Paulo, premiado chef confeiteiro, professor de confeitaria com presença em cursos em todo o Brasil todo e jurado do programa Que Seja Doce da GNT. Lucas participou do júri em São Paulo;
  • Nicholas Yamada, de São Paulo, especialista em cafés especiais com experiencia profissional na torra, classificação sensorial e comércio exterior. Atualmente é Gerente de Relacionamento do Perfect Daily Grind, publicação britânica de grande relevância para o mercado internacional de cafés especiais e responsável por introduzir em 2017 a seção exclusiva sobre a cacau e chocolate, cujo foco é aborda temas relevantes para a indústria, da fazenda a barra. É um apaixonado por empreendedorismo, cafés especiais e chocolates bean-to-bar. Nicholas participou do júri em São Paulo;

Jurados convidados

Júri de Londres

Amostras dos chocolates como enviadas para Londres

Júri de São Paulo

 

 

Foi uma honra poder contar com estes especialistas no júri!

Júri de consumidores

Os consumidores decidiram quem levou o prêmio da “Escolha do Público”. Neste caso, é premiado apenas o melhor de cada categoria. Foram distribuídos 164 kits de 6 amostras cada, podendo cada kit ser avaliado por até 2 pessoas. Os kits foram distribuídos em São Paulo, Curitiba, Canela e Santos. Agradeço a oportunidade que a Casa Santa Luzia em São Paulo me deu de distribuir lá parte dos kits para seus clientes.

Kit de avaliação dos consumidores.

Avaliação

Para ambos os júris, a degustação foi às cegas. Todos os chocolates tinham sido produzidos em moldes idênticos e apresentados aos jurados com números, sem identificação de marcas.

A estrutura é organizada de forma que os chocolates sejam avaliados aproximadamente o mesmo número de vezes e cada jurado avalia apenas a quantidade que seu paladar aguenta para aquele determinado tempo. Os chocolates amargos foram avaliados no evento e os chocolates ao leite foram distribuídos para que os jurados os levassem para casa/hotel e os avaliassem até o dia seguinte, para que tivessem um tempo para descansar o paladar.

Kit de avaliação dos chocolates ao leite.

Amostras para o júri oficial, acompanhadas de água, polenta e bolacha de água para limpar o paladar.

A avaliação foi toda eletrônica, através de formulários nos sites ChocoWeb para o júri oficial (por isso você vê os jurados no celular durante o evento !) e no Chocólatras Online para o júri de consumidores.

Premiados

Foram 13 premiados nas 2 categorias, sendo 11 escolhidos pelo júri oficial e 2 pelo júri consumidor. Os resultados foram divulgados na noite de 17/5, na Unibes, com a presença de parte do júri de convidados. Greg D’Alesandre, Gino Dalla Gasperina, Maya Schoop-Rutten, Ruth Kennison, Hazel Lee e Karen Neugebauer entregaram os certificados aos vencedores presentes no local.

Esse é o segundo ano que tivemos o prêmio Escolha do Público. Interessante notar que em ambas as vezes o público escolheu o mesmo que os jurados em uma das categorias. Este ano, a escolha idêntica foi na categoria “ao leite”, que venceu a Gallette Chocolates e em 2018 foi na categoria dos amargos, que ganhou a Mission Chocolate. Isso mostra que o paladar dos consumidores não está tão distante dos especialistas. Também é um destaque para as duas marcas que se repetiram no ouro este ano. Aliás Gallette levou o ouro no ao leite e ambos os prêmios de Escolha do Público, surpreendendo a todos, inclusive a própria Gislaine Gallette, com os 3 prêmios.

Então, aqui estão os vencedores:

 

 

CHOCOLATES AO LEITE

  • Ouro : Gallette Chocolates (São Paulo, barra 56% cacau da Bahia)
  • Bronze: Baianí Chocolates (São Paulo, barra 57% cacau de fazenda própria em Arataca na Bahia)
  • Bronze: Moselle Chocolatier(São Martinho, SC, barra 45% cacau da Bahia)
  • Bronze: Priscila França Chocolates (São Paulo, barra 48% cacau de Conceição da Barra, ES)
  • Escolha do Público: Gallette Chocolates (São Paulo, barra 56% cacau da Bahia)

CHOCOLATES AMARGOS

  • Ouro: Mission Chocolate (São Paulo, barra 70% Escuro, Fazenda Camboa, Bahia)
  • Prata: Negro Doce (Caxias do Sul, SC, barra 70% cacau de Linhares, ES)
  • Bronze: Cacau do Ceu (Ilheus, barra 70% cacau Fazenda Leolinda , Bahia)
  • Bronze: Mestiço Chocolates (São Paulo, barra 72% cacau forastero de fazenda própria em Itsacaré na Bahia)
  • Bronze: Casa Lasevicius (São Paulo, barra 71% cacao da Fazenda Camboa, Bahia)
  • Bronze: Andrei Martinez Chocolatier (Canela, RS, barra 71% cacau de Medicilândia, Pará)
  • Bronze: Luisa Abram (São Paulo, barra 70% Rio Juruá)
  • Escolha do Público: Gallette Chocolates (São Paulo, barra 70% cacau forastero da Bahia)

Mais alguns detalhes:

Mesa principal com as informações e chocolates para demais etapas do processo.

Selos de premiação: ouro, prata, bronze e Escolha do Público

Amostras dos chocolates codificados para 1a, 2a e 3a etapas da categoria Amargos.
Os potes com papel dourado e prateado mostram que várias embalagens foram trocadas para evitar a identificação pelos chocolate makers.

Display do processo: fôrmas, embalagens, kits de avaliação do público, selos de premiação e chocolates vencedores do ano anterior.

 


Zélia, Hazel Lee, Claudia (da Mestiço Chocolates), Ruth Kennison, Karen Neugebauer e Maya Schoop-Rutten.

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Leia também a matéria do caderno Paladar do Estadão publicada na noite do anúncio dos resultados.

Um super obrigada a todas as marcas e jurados participantes e ao público que nos acompanhou . Até a próxima!